Plano Cicloviário de SP subiu no telhado: novo secretário vai retardar a implantação e fazer uma “grande revisão”

O novo secretário de Mobilidade e Trânsito de São Paulo, o vereador Ricardo Teixeira (DEM), deu uma entrevista para o programa CBN São Paulo na manhã desta terça-feira (17/08/2021) dizendo que vai vai retardar a implantação dos 300 quilômetros previstos no Plano de Metas referente às novas infraestruturas cicloviárias que já estão planejados pela Companhia de Engenharia de Tráfego. Ele revelou que o atual prefeito, Ricardo Nunes (MDB) pediu a ele que o munícipe participe do planejamento.

“Ele (o munícipe) não pode acordar com uma faixa na porta dele sem ele saber o que está acontecendo. Então vamos fazer debates na Câmara (dos Vereadores) vamos fazer audiência pública, vamos levar o debate nas subprefeituras, nas associações comerciais. Vamos debater! Porque na hora que colocar a faixa de bicicleta todo mundo sabe e todo mundo concorda com ela ali. Não vai ter aquela divergência que houve no começo e ainda hoje tem muita gente “ah tira a faixa daqui, eu não consigo mais andar aqui “. Então, esse debate nós vamos fazer na cidade. Talvez a gente atrase um pouquinho, retarde um pouquinho o começo dessa implantação para fazer essa grande revisão que eu estou colocando.”

Sem novas ciclovias na periferia

Teixeira também revelou que a prioridade na implantação de novas ciclofaixas e ciclovias serão as conexões. Ele comentou o exemplo da ciclovia da avenida Radial Leste, que liga o Metrô Tatuapé ao Metrô Itaquera.

“Se você está no Shopping Tatuapé e quer vir para o Centro de São Paulo, precisa fazer um monte de zigue zague, pois não tem ciclovia. Nós até já temos todos esses 300 quilômetros planejados. O gerente da área, o Dalton Gaia, eu já tive hoje cedo conversando com ele, que eu quero rever esses projetos; primeiro eu quero fazer as ligações com as que já tem e depois levar elas para os extremos”.

Morte de ciclistas

Ele explicou ainda que outra meta da secretaria será a campanha de conscientização para reduzir a morte de ciclistas.

“Eu ando (de bicicleta), eu vejo o perigo. Primeiro é o motorista de carro que não está acostumado com o ciclista vindo e vice-versa. Então, de novo, campanha. Nós temos que falar pro motorista, pro pedestre, pro ciclistas e pro motociclista que nos temos que conviver todos juntos, que o espaço urbano é todo junto. A quantidade de ciclista atropelado mesmo com a quantidade de faixas aumentando. Houve um acréscimo. Para mim, é falta de educação. Vamos ter que investir em educação”

Ele diz ainda que vai retomar as audiências com cicloativistas da Câmara Temática da Bicicleta.

“Sim, todos esses meninos, nos temos uma vereadora que infelizmente não foi eleita, que é desse ramo, vou chamá-la para ajudar, mas me fugiu o nome dela agora”. Fernando Andrade o relembra. “É Renata Falzoni”. Ele continua. “Ela teve lá com a gente, a gente tem até um projeto em conjunto, que é dela que é para dar o nome para uma pista de bicicleta aqui na regional da Mooca, o nome de uma grande pessoa falecida, o nome de um grande amigo meu e dela, eu vou pedir para ela me ajudar”.

Retrocesso à vista

Esse discurso do novo secretário é o mesmo utilizado pelo João Dória (PSDB) quando assumiu a prefeitura em 2017. Ele usou como promessa de campanha retirar ciclovias e ciclofaixas instaladas “sem planejamento”. Depois, voltou atrás e manteve o que já existia. Porém, criou uma lei que obriga a realização de audiências públicas para que munícipes de todas as 32 subprefeituras opinassem sobre o planejamento cicloviário. E elas foram feitas com toda publicidade possível. (Na Foto de abertura, o calendário com as audiências realizadas em 2019)

Com a saída de Dória para assumir o governo do Estado, veio o Bruno Covas, que alardeava não ser possível instalar ciclovias na cidade “como se joga orégano em pizza“. Prometeu novos 173 quilômetros e cumpriu, ainda que não privilegiasse em quase nada os extremos da cidade. Por isso não surpreende Teixier dizer que a parte mais rica da cidade vai continuar sendo beneficiada.

Quando Teixeira diz que o munícipe precisa ser ouvido, ele quer dizer os comerciantes. Ele mesmo já lutou contra a instalação de uma faixa de ciclistas no bairro da Moóca e no começo deste ano, uma ciclofaixa estava sendo implantada na rua Luis Góis, na Vila Mariana quando o vereador Aurélio Nomura conseguiu interrompê-la. Até agora não foram retomadas as obras.

Outro vereador, com eleitorado em Pirituba, chegou a protocolar neste ano um Projeto de Lei na Câmara que instituiria a obrigação de haver a aprovação de 80% de comerciantes para a instalação de uma ciclofaixa. O projeto ainda não foi apreciado pelas comissões da casa.

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