Ativismo

Revolta na Ciclofaixa: plataforma coleta, trata e exibe obstruções em vias exclusivas para bicicleta em 100 cidades nos EUA

A cidade de Chicago foi eleita em 2016 como mais amigável para ciclistas nos Estados Unidos, mas a especialista em tecnologia e inovação Christine Whitehou viveu uma situação bem oposta naquele ano.

Ela quase perdeu a vida quando um caminhão de entregas invadiu a ciclofaixa onde aguardava, parada em cima da bicicleta, a abertura do semáforo. O caminhão passou tão perto que os ganchos de fixação lateral da caçamba fisgaram a roupa que ela vestia. Para não ser arrastada para o chão e ser esmagada pelas rodas do veículo ela precisou se jogar na direção contrária e conseguiu escapar.

“O motorista viu tudo o que acontecia e não se importou. A empresa para quem ele trabalhava, também não se importou. Uma ciclista de Chicago morreu duas semanas depois em situação incrivelmente semelhante. Poderia ter sido eu”, desabafa Chris em relato publicado na página do Linkedin.

O susto e indignação por quase ter morrido atropelada motivaram-na a usar a tecnologia como arma para tornar ciclovias mais seguras nos Estados Unidos. Em agosto de 2017, junto com outros cicloativistas, lançou o Bike Lane Uprising (que pode ser traduzido como Revolta da Ciclofaixa), plataforma cívica de tecnologia criada por ativistas que é alimentada diariamente com fotos e dados sobre as obstruções de veículos ou outros motivos que atrapalham a segurança de quem pedala.

Logo no primeiro ano, captou 6.600 registros de infrações enviados por mais de mil colaboradores em aproximadamente 50 cidades e, até outubro de 2020 a contagem estava em quase 27 mil registros em mais de 100 cidades, incluindo Nova York, Baltimore, cidades na Califórnia e Toronto, no Canadá.

Carros privados são responsáveis por aproximadamente 40% dos registros da plataforma em Chicago.

No final de outubro de 2020, outra etapa foi cumprida com o lançamento do aplicativo para celulares nos sistemas IoS e Android, o que vai permitir que ciclistas postem as infrações diretamente do local onde as flagraram.

A eficiência do projeto em três anos de vida pode ser retratada pela adesão ao sistema de sete departamentos de trânsito locais, quatro vereadores, duas secretarias de finanças e “incontáveis” empresas. Todos passaram a usar os dados reunidos em um banco de dados central para programar fiscalizações ou incrementar políticas públicas e empresariais.

Em um ano, infrações totalizam mais de um milhão de dólares

Um dos dados mais interessantes apresentados no relatório de 2018 disponível no site é o cruzamento das infrações com o valor das multas que deveriam ser aplicadas. Naquele ano, só em Chicago, a soma de todas as penalidades ultrapassaram o valor de 1,150 milhão de dólares, uma receita perdida pelo município.

E traz mais: apenas um mesmo veículo foi flagrado em infração por 15 vezes, o que daria uma penalização de 4,5 mil dólares; 20% foram flagrados mais de uma vez; 44% das obstruções são de carros privados, 31% de veículos comerciais e 17% taxi, Uber e Lyft.

O website (e agora o aplicativo) possui acesso livre de registro para visualizar os dados que são apresentados em mapas interativos e de fácil manipulação. Para fazer registros, no entanto, é preciso ter uma conta.

Base de dados traz informações de obstruções atualizadas em tempo real.

“Se estivermos vendo uma área específica que está sendo obstruída regularmente, ou se estivermos vendo uma determinada empresa ou agência cujos veículos bloqueiam regularmente as ciclovias, esses dados capacitam os ciclistas a se dirigirem às autoridades e dizer: ‘Olha, este é um problema real, e eu tenho provas’ ”, diz Whitehouse no comunicado de lançamento do aplicativo para celulares IoS ou Android, disponível desde 28 de outubro na Apple Store e Google Play.

Mapas indicam locais e tipos de veículos que comentem infrações de forma interativa

Com a pandemia, mortes de ciclistas aumentaram

“Estamos vendo que tem havido um aumento no ciclismo em Chicago e outras cidades”, disse Christina para a emissora de TV local WTTV. . “Com isso, infelizmente, vimos um aumento nas mortes de ciclistas e ferimentos graves.

Segundo a ativista, a cidade tem poucas ciclovias implantadas (160 quilômetros) que estão sendo usadas como estacionamento gratuito, locais de distribuição ilegal de produtos e por empresas de construção civil.

Crhistine diz ainda que toda vez que um ciclista precisa desviar de um obstáculo, ele ou ela acabam invadindo a faixa de veículos que em geral estão em velocidade maiores o que coloca a vida delas em risco.

“Ciclistas morrem todos os anos e muitos ficam feridos. É por isso que fundei a Uprising da Bike Lane . Ter um espaço seguro na rua para ciclistas pedalarem é fundamental para nos mantermos vivas. Se os carros estão estacionados em ciclovias, ou se as faixas estão bloqueadas ilegalmente, isso cria uma situação incrivelmente insegura”, alerta.

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