Em NY, não está fácil a vida de imigrantes que usam bicicletas, elétricas ou não, para fazer entregas

Já faz um tempo que acompanho a situação das bicicletas elétricas na cidade de Nova York. Lá, modelos com acelerador são proibidos de circular. As de pedal assistido podem. Tempos atrás, houve muita grita da população de Manhattan contra os entregadores de comida. Alegavam que eram agressivos e não respeitavam ninguém.

Fonte de renda de imigrantes, o serviço de entregas sempre foi feito com bicicletas padrão e tudo ia bem até chegarem essas e-bikes chinesas, com aceleradores, e que viraram febre, já que a agilidade e economia são incontestáveis. Hoje existem 50 mil entregadores que circulam na cidade em e-bikes.

Houve abusos, lógico. Existem pessoas mal educadas em qualquer tipo de transporte. E a urgência em levar mais entregas por hora, fez com que as péssimas ações ficassem gravadas como prática costumaz de toda uma classe.

Atualmente, arrumar um emprego de entregador sem uma e-bike é difícil. E com a lei que proíbe o uso de e-bikes com acelerador em todo o estado de NY, mais arriscado. Leia nesta matéria do Citylab, (em inglês), a situação das e-bikes em NY.

Já nesta matéria do periódico novaiorquino para comunidade hispânica, El Diario, o repórter Edwin relata casos de abuso da polícia local em relação à lei que regulamenta o serviço de entrega de refeições por ciclistas em bicicletas regulares. E o torniquete foi estendido para entregadores em bicicletas normais.

Em Nova York, além da proibição das e-bikes em geral (que começou em outubro de 2018) os ciclistas entregadores de comida devem usar capacete e colete reflexivo, onde constem os dados deles e do restaurante para quem trabalham.

As multas para quem desobedece são altas. A partir de 500 dólares para os ciclistas e 100 dólares para o restaurante. A bicicleta pode ser apreendida.

Embora as regras do Departamento de Transportes da Cidade (DOT) indiquem que os trabalhadores não estão sujeitos a multas ou penalidades em face dessas faltas, pois elas devem recair sobre as empresas para as quais prestam seus serviços, a lei não está sendo cumprida ao pé da letra. Ativistas e favor de imigrantes e eles mesmos dizem que policiais estão abusando.

Segundo eles, policiais ficam à espreita nas esquinas de Manhattan esperando algum entregador desavisado aparecer para aplicar uma multa e confiscar a bicicleta.

E muitos deles não sabem dos direitos que a mesma lei oferece. As multas nesse caso deveriam ser arcadas pelos donos de restaurantes.

Advogados de entidades de imigrantes e ciclistas ratificam que as multas para o não cumprimento da lei pelos ciclistas devem ser responsabilidade dos restaurantes. E eles precisam informar e treinar os profissionais de entrega para que cumpram a lei.

“Os restaurantes não querem assumir esses custos e, embora a polícia diga que e-bikes são ilegais aqui em Nova York, há muitos de nós trabalhando com esse tipo de bicicleta, porque os próprios restaurantes exigem que a entrega de comida seja mais rápida. Estamos entre Deus o Diabo, porque se usarmos as elétricas, corremos o risco de pagar multas ou tê-las confiscadas, e se você não a usar, não terá um emprego”, lamentou um entregador guatemalteco de 32 anos.

“O problema é que, como em muitas ocasiões, esses jovens não conhecem a lei ou não falam o idioma porque são recém-chegados (à cidade). A polícia está multando os entregadores pois eles são os mais fracos, e também por falta de conhecimento das leis, ou em um claro ato de marginalização, razão pela qual mais informação e campanhas educativas são urgentes para todas as partes “, explicou a ativista, Claudia Corcino, da organização Ciclistas Latino-americanos em Nova York.

“E no meio das constantes queixas dos entregadores, em 24 de abril, a Sociedade de Assistência Jurídica (Legal Aid) entrou com uma ação exigindo que a Polícia de Nova York e o governo do prefeito Bill de Blasio cumpram a lei e parem de penalizar os trabalhadores que usam bicicletas elétricas”, relata a matéria.

A Legal Aid argumenta que as leis de Nova York estabelecem que ‘uma empresa que usa uma bicicleta para fins comerciais será responsável’ pelas multas em bicicletas elétricas incorridas por seus trabalhadores. A organização também alerta que um guia de patrulha da polícia sobre esse assunto não está sendo não está sendo seguido por alguns policiais.

Leia aqui um relato (em inglês) de Eduardo Perez (19), ciclista entregador de NY sobre a situação que vive diariamente ao fazer entregas com sua e-bike. Matéria do NYC Street Blog.

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