Até 35 km de ciclofaixas e ciclovias de S. Paulo precisam de manutenção urgente e colocam ciclistas em risco

A Ciclocidade publicou em 24 de junho de 2022 os resultados de uma nova Auditoria Cidadã, pesquisa na qual mapeou, identificou e classificou os 699,2 quilômetros da rede cicloviária de São Paulo em relação à qualidade da conservação. Ainda que o relatório aponte que 81% dessa rede esteja em boas condições, há 5% que precisam de manutenção com urgência. São aproximadamente 35 quilômetros, o que parece pouco, mas no conceito Visão Zero que a prefeitura afirma estar adotando em relação a sinistros de trânsito, nenhum sistema viário deve colocar pessoas em risco.

Ciclofaixa Professor Roberto Gomes, na Vila Alexandria: sumiu!

Há estruturas que simplesmente sumiram, apesar de haver pedidos de manutenção há mais de três anos. Em geral, são ciclofaixas implantadas durante a gestão Fernando Haddad (PT) 2013-2016 que atravessaram toda a gestão Covas/Dória (PSDB) 2017-2020 sem receber sequer uma demão de tinta.

Assim, se você usar uma dessas estruturas, a possibilidade de colidir com outro veículo dirigido por alguém que não saiba ser ali uma ciclofaixa, ou sofrer uma queda por casa de falhas no pavimento, é altíssima.

O trabalho foi coordenado pelo pesquisador Flávio Soares e contou com uma equipe de ciclistas experientes que circularam por toda a cidade nos meses de abril e maio, coletando dados e tirando 7.780 fotos geolocalizadas que estão disponíveis para consulta em um mapa interativo bem fácil de utilizar.

A cor vermelho escuro mostra as vias de alto risco que precisam manutenção urgente. Na cor vermelho claro é mostrada os 12% da rede (mais ou menos 83 quilômetros) que precisam de manutenção em ao menos um dos critérios usados pela Ciclocidade para classificar as condições da infraestrutura: proteção ao ciclista; pintura; pavimento e sinalização de cruzamentos. Ou seja, ainda que estejam pintadas e tenham alguma proteção contra veículos, o fato de ter um piso irregular gera risco para ciclistas iniciantes ou crianças, por exemplo.

As condições de segurança em ciclovias e ciclofaixas no bairro do Rio Pequeno são ruins, sendo que na avenida dr. Cândido Motta Filho são precárias

O preocupante são esses 5% que, estatisticamente, podem parecer pouco. As estruturas estão totalmente precarizadas e 35 quilômetros não são nada desprezíveis. Usá-las pode ser mortal. Digo isso por experiência própria.

Nas minhas rotas de rotina há risco, por exemplo, nas ciclofaixas das avenidas Dr. Candido Motta Filho e Escola Politécnica, no distrito do Rio Pequeno, Zona Oeste da cidade. Se você vier pedalar aqui, precisará em algum momento ter de desviar de carros que invadem a ciclofaixa na direção contrária já que inexistem tachões ou pintura que estabeleçam alguma segurança para quem pedala na subida e na contramão dos carros.

Ciclofaixa Cândido Motta Filho: sem pintura, segurança e sinalização:invasão de carros e caminhões
(Crédito – Rogério Viduedo 20/08/2021)

Há outras ciclofaixas importantes em outros pontos da cidade que estão precarizadas e colocam ciclistas em risco por não terem sinalização ou segregação. São estruturas criadas há mais de quatro anos e que não mereceram nenhuma atenção da CET durante a gestão Dória/Covas (2017/2020) que fez manutenção em apenas 300 quilômetros durante aqueles quatro anos.

Entre elas, estão as ciclofaixas das avenidas Edu Chaves (Zona Norte), Rogério Giorgi (Vila Carrão, Zona Leste), Teodureto Souto (Aclimação, Zona Sul) e, no Campo Limpo (Zona Sul), a rota de ciclofaixas de mais de 2 quilômetros das ruas Nina Stocco, Nelson Brissac e Martinho Lutero.

Recentemente, a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito anunciou uma consulta pública para validar o edital de concorrência que vai escolher as empresas que farão a manutenção de uma lista de ciclofaixas e ciclovias que abrangem extensão de 63 quilômetros com custo de R$ 105 milhões. Até o momento, a abertura da concorrência não foi publicada no Diário Oficial.

(Foto de abertura: Ciclista na ciclovia da Pedroso de Moraes em Pinheiros desvia de buraco onde está uma caixa de inspeção da CET – Crédito Rogério Viduedo 13/05/2022)

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