Pedalar de Vargem Grande ao Recreio dos Bandeirantes ainda é inseguro, mas isso vai mudar

Vitória L Holz, do Rio de Janeiro – A luta pela construção da ciclovia na Estrada Vereador Alceu de Carvalho, mais conhecida como Estrada do Rio Morto, começou em 2009 durante o primeiro mandato do prefeito Eduardo Paes (DEM), quando ele divulgou a intenção de construir a primeira infraestrutura cicloviária daquela região e assim atender solicitação da Associação de Moradores de Vargem Grande.

A ciclovia vem da praia e só atende aos condomínios classe média alta. Captura de tela do Ciclo Mapa

Em 2012, ainda sem verem a promessa cumprida pelo executivo municipal, a população do bairro se organizou para realizar a manifestação, Quero ir de bike até a praia sem ser atropelado, o primeiro ciclo-protesto desse bairro de 14 mil habitantes localizado na Zona Oeste da cidade, próximo ao Recreio dos Bandeirantes e Praia da Macumba. Centenas de pessoas saíram às ruas para exigir segurança para o deslocamento por bicicleta.

O primeiro trecho só veio em 2016, mas beneficiou apenas os moradores dos condomínios de classe média-alta do Recreio. O trecho do Bairro de Vargem Grande caiu no esquecimento durante a administração Crivela e ciclistas continuam dividindo o espaço com veículos motorizados em uma via movimentada que oferece diversos riscos.

Em 25 de setembro de 2021, no entanto, a Prefeitura do Rio de Janeiro informou que está prevista a construção do trecho que faltava dentro do plano de ampliação da Rede de Mobilidade por Bicicleta (RMB). Serão 123 novos trechos de infraestrutura cicloviária na cidade, também propostos no Plano de Mobilidade Urbana Sustentável do Município do Rio de Janeiro (PMUS – Rio). O Rio possui hoje 458 quilômetros de ciclovias e já chegou a ser chamada de “Capital Urbana da Mobilidade por Bicicleta”.

Para ostentar tal título, todavia, a cidade precisaria ter uma infraestrutura cicloviária que promovesse não só o aumento da frequência do uso da bicicleta, mas também uma adoção definitiva desse modal pela população e, para isso, é necessário que essa rede esteja integrada e conectada a outros meios de transporte, de modo a promover segurança e envolver os cidadãos no desenvolvimento de políticas e projetos nessa direção. Porém, a malha cicloviária da cidade do Rio de Janeiro ainda não cumpre com esses requisitos.

rede cicloviária do Rio de Janeiro é desconexa e só atende os bairros onde reside a população de maior renda, desconsiderando grande parte da cidade, o que reforça as desigualdades territoriais. Além disso, existe a percepção de que a bicicleta é mais um equipamento de lazer, o que é uma inverdade. Publicado pelo Transporte Ativo e pelo LABMOB-UFRJ, a pesquisa Perfil do Ciclista do Rio de Janeiro valida a bike como instrumento de mobilidade cotidiana principalmente para ir ao trabalho, com o consequente desafio de integrá-la a outros meios de transporte.

A mobilização dos moradores de Vargem Grande pela ciclovia mostra a importância da luta da população por seus direitos. João Pedro Rocha tem participado dessa luta e reforça que a mobilização pela ciclovia ocorre de forma descentralizada, sem líderes. “Diversos atores foram protagonistas do processo e isso colaborou para que a pauta se fortalecesse em diversos segmentos, grupos políticos e movimentos sociais. Eu, particularmente, consegui colaborar na construção do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) lá em 2015-2016, que propôs uma primeira expansão de rota cicloviária, hoje lançada pela prefeitura cinco anos depois”, diz.

Protesto de ciclistas de Vargem Grande em 2019 cobrando ligação cicloviária com a ciclovia do Recreio

João ressalta ainda que os moradores precisam estar atentos ao Plano Diretor Cicloviário, um documento que dará as diretrizes da mobilidade por bicicleta e que deve ser elaborado em até 360 dias. Segundo ele, a população deve participar em conjunto com a prefeitura para revisar as rotas planejadas e colaborar na produção de um diagnóstico que irá avaliar a atual estrutura e propor novas rotas. “Para os usuários de bicicleta não houve nenhuma expansão da rede cicloviária nos últimos anos, e o pior, teve queda da ciclovia Tim Maia e degradação das rotas existentes. Está cada dia mais inseguro se deslocar de bicicleta.”, desabafou.

*Bacharela em Biologia e mestranda no Programa de Ecologia da UFRJ. Pesquisa, na área de sustentabilidade, soluções baseadas na natureza e mudanças climáticas. Além disso, é ativista de causas socioambientais, integrando o coletivo Cicli – Pedalando pelo Clima, onde busca conscientizar pessoas sobre a crise climática. 
Instagram:@ocicli

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