Por R$ 3,42 milhões, USP contrata empresa para implantar 18 km de ciclofaixas até o fim de 2021

A reitoria da Universidade de São Paulo resolveu tirar o escorpião do bolso para instalar de vez o plano cicloviário da Cidade Universitária, o Campus Butantã. Em tempo recorde, foi licitada e contratada a empreiteira que vai implementar 18,3 quilômetros de vias segregadas e/ou compartilhadas para ciclistas, conforme estabelece o edital de concorrência 03/2021, publicado em 31/05/2021 no Diário Oficial do Estado de São Paulo. 

A expressão “E/OU” é porque, em algumas vias da USP, haverá tanto ciclofaixas segregadas por tachões quanto ciclorrotas, um expediente usado para tentar garantir alguma segurança a quem pedala junto aos carros. Nessas vias compartilhadas, geralmente de tráfego mais calmo, aposta-se em sinalização reforçada para que motoristas prestem atenção para a presença de pessoas se transportando em bicicletas no local. 

Essa alternativa vai ser usada, por exemplo, na Rua do Lago, uma via de mão única onde ciclistas irão na ciclorrota no mesmo fluxo de carros e poderão voltar no contra fluxo pela ciclofaixa.

O resultado do pregão foi conhecido em 16 de junho de 2021, só dezesseis dias depois do lançamento do edital. Quem ofereceu o melhor preço foi a A3 Terraplanagem, com proposta de  R$ 3.419.983,44.  

Antes mesmo do final da concorrência, já havia obras em andamento. Conforme este blog informou dias atrás, uma ciclofaixa de 1,9 quilômetro de extensão estava sendo disponibilizada na avenida Professor Luciano Gualberto. Pelo contrato, o prazo para terminar as obras é de 150 dias ou cinco meses. Essas informações foram levantadas via de Lei de Acesso à Informação e depois com pesquisa no site de pregão eletrônico governamental

Pressão

Segundo este blog apurou, a correria para executar o plano cicloviário na universidade é porque a operadora do sistema de bicicletas compartilhadas Tembici precisa dele para estimular o máximo de demanda que puder para recuperar o tempo e o dinheiro perdido por causa do fechamento do campus em decorrência da pandemia de Covid-19.

Um pouco antes do decreto de quarentena que colocou a cidade em lockdown, assinado em 23 de março do ano passado, a empresa havia inaugurado na USP 18 das 36 estações de bikes que são previstas no projeto que foi aprovado pelo Conselho Gestor do Campus da Capital em 17 de junho de 2015. 

Ciclista pedala bicicleta da Tembici em calçada da avenida Luciano Gualberto onde novas ciclofaixas são implementadas.
Fotos Rogério Viduedo – 16/06/2021

Com o esvaziamento completo do campus, a empresa não não teve chance de fazer o sistema funcionar para pagar o investimento. A expectativa era atingir 5 mil viagens de bike por dia dentro de um universo de 100 mil pessoas que passam diariamente por lá.

Não fosse a chegada da Tembici, talvez as ciclofaixas da USP ainda ficassem no papel por mais um tempo. Quando a empresa fechou a parceria com a reitoria, o dinheiro para a implantação das ciclofaixas no campus estava previsto para sair dos cofres da Prefeitura de São Paulo via Fundo de Desenvolvimento Urbano, que é o dinheiro que a cidade arrecada via outorga onerosa de espaços públicos. 

A primeira menção oficial de usar o Fundurb para ciclovias na USP ocorreu na reunião do conselho gestor de 29/11/2019. A Secretaria Municipal de Transportes, à época conduzida por Edson Caram, dentro da gestão Bruno Covas (PSDB), conseguiu destinar R$ 3,34 milhões para implantar 20 km em ciclofaixas no local. A justificativa era que elas seriam parte do cumprimento do plano de metas da Capital, que estabelecia a instalação de 173,5 novos quilômetros de infraestrutura cicloviária na cidade. 

Estação do Bike Sampa em instalação no Biênio, dentro da Escola Politécnica. Projeto prevê 36 estações dentro da USP. Rogério Viduedo 16/06/2021

Este blogueiro pediu explicações para a SMT e para a USP, mas só obteve respostas evasivas sobre, por exemplo, de onde tiraram tal ideia de incluir vias da universidade como parte do Plano Cicloviário da Capital já que em nenhum momento tais trechos fizeram parte das sugestões de ciclistas colhidas durante workshops técnicos realizados pela CET, Câmara Temática da Bicicleta, Ciclocidade e Iniciativa Bloomberg, nem nas 10 audiências públicas realizadas com cidadãos e cidadãs das 32 subprefeituras da cidade.

Além disso, indagamos a administração municipal se o fato de colocarem R$ 3,34 milhões em ciclofaixas dentro da Cidade Universitária iria fazer com que todes cidadãos pudessem usar o local para se locomover pela cidade 24 horas por dia já que, atualmente, quem não comprovar vínculo com a USP só pode entrar lá em horários específicos: das 5 às 20 horas de segunda à sexta, das 5 às 14 horas no sábado e nunca aos domingos.

Ao longo de 2020, no entanto, com o agravamento da pandemia, a SMT pediu alterações no plano de aplicação dos recursos do Fundurb, chegou a cortar pela metade o valor que poderia ser usado para ciclofaixas na USP na última reunião, de 28/05/2021 o valor foi zerado.

A seguir, documentos referentes à concorrência.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.