Bike Brasil será termômetro dos efeitos do câmbio e coronavirus no mercado brasileiro

Os fabricantes nacionais de componentes de bicicleta passaram a ficar mais competitivos com o dólar alto. Uma fuga de capitais estrangeiros em massa tem impactado na cotação da moeda, que superou o preço de R$ 4,50 pela primeira vez na história no final da semana passada. Dentre os motivos, a inépcia do governo federal na condução da política econômica e a incerteza do efeito do surto do coronavirus nos mercados.

O termômetro desse impacto poderá ser sentido durante a Bike Brasil. A feira acontece nas próximas sexta-feira e sábado, 6 e 7/03 no Palácio das Convenções do Anhembi em São Paulo.

Rodrigo Afonso, gerente da NürnbergMesse Brasil, empresa organizadora da feira, ainda acha cedo para especular. “Estamos acompanhando as oscilações do mercado, mas acreditamos que ainda é cedo para definir se existirão impactos significativos nos negócios do segmento da bicicleta nacional.”

A grande maioria dos estandes foi contratada por indústrias brasileiras, que podem se beneficiar com o câmbio e os atrasos na produção chinesa. É possível montar uma bicicleta quase 100% brasileira com os produtos oferecidos pelos 43 expositores. Há fabricantes de quadros, rolamentos, freios, guidões, selins, gancheiras, correntes e ainda de vestuário, suplementos alimentares e acessórios.

Pela segunda edição consecutiva, o evento vai se concentrar em aproximar vendedores e compradores. Para isso, vai promover rodadas de negócios e está financiando a vinda de 100 lojistas das regiões Sul e Nordeste. “São os principais lojistas dessas regiões. Eles foram indicados pelo expositores da feira”, disse Rodrigo.

Além de promover os negócios, a Bike Brasil quer ajudar na profissionalização de bicicletarias e bike shops. Consultores do Sebrae vão orientar microempresários em questões de administração, finanças e recursos humanos.

Nos Estados Unidos, coronavirus já impactou produção

Nos Estados Unidos, cujo mercado da bicicleta depende 95% de produtos da China, a Lyft, empresa de compartilhamento de scooters e bicicletas elétricas sediada em San Francisco, informou aos investidores na última sexta-feira que o surto atrasou a produção de certas peças e componentes e pode levar a mais interrupções na cadeia de suprimentos ou nos negócios, além de restrições de viagens. O governo dos EUA emitiu alerta para que se evitem viagens à China.

Muitas fábricas de componentes chineses estão fechadas. Apesar do epicentro da doença ser na província de Wuhan, onde não há muita produção, muitos operários de pólos produtivos voltaram para essa região rural para celebrar com a família o feriado do Ano Novo Chinês que durou quase três semanas. Há previsão de retorno da produção nesta seamana mas as quarentenas em várias cidades podem atrasar a reabertura das fábricas em regiões mais populosas.

Em Taiwan, ilha próxima da China, a Taipei Cycle, maior feira de negócios de bicicletas da região adiou o evento que aconteceria nesta semana na capital para o mês de maio.

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