Jackson Paiva, 53, 74ª pessoa morta por veículo motorizado na avenida Teotônio Vilella desde 2015

Seria um vídeo corriqueiro de um motociclista que gosta de acelerar pelas três pistas vazias da avenida Senador Teotônio Vilella no alvorecer de um domingo qualquer, não fosse o encontro que ele teve com uma tragédia provocada por um motorista imprudente e que matou o ciclista Jackson Paiva, 53, e mandou um dos amigos que pedalava com ele para o hospital com lesões na coluna cervical.

A cena é triste e acontece pouco depois da seis da manhã do domingo 4 de abril de 2021. O motociclista reduz a velocidade e encosta a moto ao lado da ocorrência, momentos após o atropelamento. O ciclista Jackson está estirado de bruços no chão; inerte. Os amigos dele o rodeiam, sem saber o que fazer. Na calçada, testemunhas que acompanharam o crime estão horrorizadas com a violência. A imagem da bicicleta estraçalhada e do para brisa estilhaçado do Renault dão a dimensão do impacto.

A câmera também mostra o responsável pela tragédia, Alex Sandro A.P. da Silva, de 21 anos, igualmente aturdido, andando para lá e para cá; ele chega a esboçar um desmaio; as pernas se dobram, mas ele se apoia no poste e volta para dentro do carro. O motociclistas pergunta se ele está bem. Alex não fala, só balança a cabeça. Está arrasado.

Ao longo desse domingo de Páscoa, Jackson terá ido para o serviço funerário e, Alex, para a carceragem do 101º Distrito Polocial, onde será indiciado por homicídio doloso. O delegado responsável pelo caso declarou para a reportagem da TV Record que Alex assumiu o risco de matar, já que foi visto em alta velocidade disputando corrida com outro veículo. Câmeras da vizinhança captaram o momento em que ele atropela os ciclistas. Investigadores estão em busca do outro carro que disputava o “racha”.

O caso não terá grandes repercussões na imprensa. Alex parou para prestar socorro e o exame do bafômetro não acusou presença de álcool no sangue dele. Porém, ele não tem permissão para dirigir.

Primeira morte do ano, mas são 74 desde 2015

Desde que o sistema de contagem de mortes e lesões no trânsito do Estado de São Paulo, Infosiga, foi lançado em 2015, houve 74 mortes na avenida Senador Teotônio Vilella provocadas por carros, ônibus, caminhões e motocicletas.

Jackson foi a primeira morte do ano na Teotônio Vilella e o segundo ciclista de toda a série estatística. Há uma ciclovia no canteiro central.

Quem morreu mais nos 10 quilômetros de extensão da avenida que liga o autódromo de Interlagos ao bairro do Grajaú foram os motociclistas e pedestres, com 34 e 31 ocorrências, respectivamente.

O ano de 2017 foi o mais mortal, com 20 óbitos e os domingos à noite são o período em que mais ocorrem os sinistros mortais.

Motociclistas e pedestres são 87% das vítimas fatais do trânsito na avenida Senador Teotônio Vilella – Fonte Infosiga – Tratamento dos dados – Rogério Viduedo
Jackson Paiva foi o primeiro paulistano morto na avenida em 2021 e o segundo ciclista da série histórica iniciada em 2015

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