Esta foto foi tirada duas semanas atrás na ciclovia da avenida Escola Politécnica, nº 2667 e é o atestado do desprezo do prefeito Ricardo Nunes na gestão da mobilidade por bicicletas. Esse trecho é novo, com cerca de 50 metros e veio a completar a implantação dessa que é uma das primeiras ciclovias que compuseram os 400 quilômetros construídos na gestão Fernando Haddad (PT).
Esse pequeno mas importante pedaço não era do jeito que a foto mostra. Até outubro do ano passado não tinha nada. Naquela época, essa esquina causou polêmica entre os chefes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O pessoal que projetava as ciclovias queria alargar a calçada e acomodar a ciclovia, mas um chefe de tráfego alegava que ia causar congestionamento. Coube ao secretário da época, Jilmar Tatto, optar por fazer os ciclistas darem a volta no quarteirão, coisa que ninguém fazia.
O trecho sem nada até outubro do ano passado quando a CET autorizou o Consórcio Manutenção de Ciclos, empresa que faz manutenção nas ciclovias, sinalizar o local, mesmo sendo óbvio que não tinha espaço para bicicleta. Eu falei dela recentemente aqui no JB e fim uma denúncia para a TV Globo, que foi até lá e mostrou a barbaridade ao vivo. Pouco tempo depois, a empresa que foi lá arrumar o espaço. Cortaram dois postes, alargaram um pouco a calçada e só. Entregaram suja e sem a pintura obrigatória de solo, só esses pictogramas em preto e branco.

Eu perguntei para a Secretaria de Mobilidade e Trânsito quando iriam aplicar a sinalização-padrão para estruturas cicloviárias. Responderam em nota dizendo que vai ficar assim mesmo. “A CET informa que a sinalização do trecho recém-implantado de ciclovia na avenida Escola Politécnica, esquina com Estrada das Cachoeiras, foi realizada e obedeceu ao cronograma de serviços a serem executados pela Companhia”.
Entregar ciclovia dessa forma não é nenhuma novidade nessa administração. Há vários exemplos pela cidade de estruturas feitas só para a inflar planilhas sem qualquer esboço de fiscalização do TCM ou do Ministério Público. E nem precisa pesquisar se a obra está ou não no padrão. É só consultar o Manual de Sinalização Urbana da própria Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Ele determina a pintura de todos os espaço da ciclovia na cor vermelha quando ela tem que atravessar uma rua ou avenida. Para o restante, basta aquelas linhas de 10 cm nas cores branca e vermelha.
É uma ciclovia Triplo I: inacabada, insegura e inadmissível. Lamentável que os funcionários e funcionárias da prefeitura que fiscalizam esses contratos deixem isso acontecer. E não é só aqui. Tem os casos da avenida Águia de Haia, da Abraão Ribeiro, da Rua Alvarenga, da Ponta do Jaguaré, da avenida Mutinga e muitas outras.

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