Sou ciclista, mulher e voto em Lula porque o momento pede, vou me posicionar. Por Susi Saito

Susi Saito

É muito clara a minha posição política e não teria como ser diferente, para quem vive como mulher, usa a bicicleta e vê diariamente notícias de violência contra a mulher e que tão frequentemente terminam em feminicídio acontecendo no Brasil e no mundo.

Acompanhar o que aconteceu com Julieta doeu demais. E como postei na época #sefoicomumadenosfoicomtodasnos é a nossa realidade dia após dia.

Não tem como ser mulher, defender-nos como mulher e não ser de esquerda. A outra opção, dessa extrema direita misógina e preconceituosa não é uma opção para mim. Não pode ser para quem se vê como mulher que dia após dia enfrenta seus medos e lutas e tem de seguir, invariavelmente, sozinha (mesmo estando acompanhada!).

As diferenças quanto ao uso da bicicleta sempre são bem-vindas, reais e enriquecedoras. Mas a escolha política não pode considerar outra opção. Nós estamos num momento decisivo não somente para cada uma com seu umbigo. Mas com o que determinará os nossos dias futuros. Está acontecendo uma inversão total de valores. Uma manipulação tão grande do pensamento que passamos a não reconhecer tanta gente que pensávamos conhecer, quando vendem ideias no estilo CtrlC CtrlV, sem reflexão nenhuma sobre o que abrange.

Posicionar-se quanto à escolha nas urnas não pode ser carimbo de “Eu sou mais que o outro”, como é vendido pela extrema direita, inflando egos de gente que pensa fazer parte de uma elite, seja econômica, social, étnica, ou religiosa. Como se fosse possível viver numa bolha sem danos a alguém. E que fatalmente, será na base, em nós mesmos e não em quem estiver imune no poder. Independente se é de direita ou esquerda.

Estou me posicionando porque mulheres sempre precisam estar unidas, cuidando umas das outras. Atentas. Andar como mulher na rua, na estrada, nunca será o mesmo que um homem. É preciso estender o olhar no nosso entorno, no espaço e no tempo. O que estamos vivendo? O que é preciso ser feito pela nossa segurança e direito de liberdade de ir e vir sem perigo, sem ser abordada, assediada, atacada, violada, estuprada e morta? Neste momento, é salutar, olhar os discursos, buscar quem nos defende, quem nos oprime., qem estabelece políticas públicas para a mulher.

E quem não apresenta nada a nosso favor. Pior! Incentiva, mantém falas extremamente nocivas e ameaçadoras ao que já foi ganho como direito à mulher. Sem falar nesta validação expressa de forma escancarada em ignorar o feminicídio como realidade. O trato inadmissível de homens contra mulheres nos meios onde se deveria trabalhar por direitos de cidadãs e cidadãos. Sem falar na fala nojenta de um presidente que diz a uma mulher que não a estupra porque ela é feia.

É muito claro a escolha a ser feita no voto, como mulher!

Não adianta cada uma ter o seu voto definido se isso prezar uma escolha individual que não pense o amanhã das próximas gerações de mulheres. O que temos hoje é fruto de lutas seculares. A nossa história é de mulheres que foram silenciadas por séculos e hoje, precisamos continuar a erguer a voz para falar, ser ouvida nas ruas e nas urnas.

Não é possível ser mulher, ser mulher cicloviajante e não ser Lula!

Em tempo. Minhas razões aqui no tema “mulher” são tantas que nem vou falar dos outros tantos temas imprescindíveis que vão para as questões ambientais, saúde, educação, projetos sociais, econômicos e a projeção disparadamente positiva que o Brasil ganhou internacionalmente com Lula. Enquanto o outro…Só deu vexame.

Susi Saito
Mulher. 60 anos. Ciclista. Cicloviajante. Cicloativista. Escritora. Podcaster. Palestrante. Criadora do coletivo Mulheres Cicloviajantes – Rede de apoio que acontece no whatsapp e no Instagram.
Livro: Alma Cicloviajante – Uma Aventura pelo Vale Europeu

Canal de Podcast: Alma Cicloviajante onde histórias de Mulheres Cicloviajantes são compartilhadas.
Redes sociais: @gloriaadgloria e @mulherescicloviajantes


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