Mesmo com a falta e a alta nos insumos, Abraciclo espera fabricar 850 mil bikes neste ano

A pandemia do Novo Coronavírus aumentou o interesse pelo uso de bicicletas mas bagunçou toda a cadeia produtiva. Com isso, tudo aumentou de preço. Eu, por exemplo, tenho que trocar a relação da minha MTB que uso para transporte aqui em São Paulo. Quase caí de costas ao ver que vou gastar quase 900 mil num jogo de coroas, cassete e corrente do grupo Alívio da Shimano.

E isso se eu comprar pelo Mercado Livre e instalar eu mesmo. Caso recorra aos colegas das bicicletarias, o valor ficará ainda mais salgado.

Também fiquei estupefato com o preço de uma bicicleta Houston aro 24, à venda no Extra aqui do Jaguaré: R$ 850 mil, quase o dobro do preço de antes da pandemia. Perguntei ao Cyro Gazola, presidente da Caloi e vice-presidente da Abraciclo se ele vê chances dos preços recuarem.

Ele falou a real. “Bicicletas de alto valor agregado subiram em média 30%, não vou negar” e explicou que as cotações das matérias primas usadas na indústria subiram muito, sejam pela alta demanda, sejam pela apreciação cambial. Com isso, o aço ficou 60% mais caro e o alumínio, 40%.

Outro impacto direto na composição dos preços é o frete, pois a maioria dos componentes vem da Ásia, sobretudo da China, Taiwan e Vietnam. “O preço do container era 4 mil, passou para 9 mil e agora esta custando 17 mil reais”, revelou. Segundo ele, para se manterem competitivas, as indústrias estão cortando custos na carne, renegociando tudo o que for possível.

Ainda assim, em julho, as quatro montadoras de bicicletas do Polo Industrial de Manaus registraram o melhor resultado do ano pelo terceiro mês consecutivo. Foram fabricadas 74.760 unidades, alta de 12% na comparação com junho (66.774 bicicletas) e de 22% acima do mês de julho de 2020 (61.283 unidades).

“Os volumes comprovam a recuperação do setor, que poderia ser ainda melhor caso não enfrentássemos os problemas com o abastecimento de insumos. A falta de peças e componentes continuará a comprometer a produção até 2022. É uma crise global que tem afetado todas as fabricantes do mundo”, ressaltou Gazola. Ou seja, nada de recuo nos preços.

Ele diz que falta tudo no mercado. Selins, câmbios, freios, cabos e não vê perspectiva de melhora antes de julho do ano que vem. Ele explica que só a partir de 2022 é que as indústrias poderão voltar a ter um estoque de segurança de dois meses. Hoje? Não duram dois dias.

Já a produção de bikes no acumulado do ano no Polo Industrial de Manaus (PIM) já é de 430.477 bicicletas, alta de 38,5% na comparação com o mesmo período de 2020 (310.777 unidades) e a associação estima que vai fechar o ano com produção de 850 mil peças.

Crédito da foto: Pexels

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