Segurança Viária

Estudo mostra aumento de mortes de ciclistas homens acima de 45 anos e queda no uso de bicicletas por crianças nos EUA

Não importa onde eles escolhem pedalar, ciclistas deveriam ter o direito de segurança em nossas ruas – e todos deveriam se sentir seguros saindo em duas rodas, não importa a idade.

Por Kea Wilson do Streets Blog EUA –

Um novo revela que as mortes causadas pela violência no trânsito entre ciclistas adultos nos Estados Uido triplicaram desde 1975, apesar dos óbitos de usuários de bicicletas terem encolhido 17% nesse período – sugerindo que o país de alguma forma “venceu” a luta contra a violência no tráfego ainda que pelo fato de ter tirando as crianças das bicicletas enquanto os mais velhos pedalavam mais.

Uma revisão compreensiva da literatura científica sobre acidentes de bicicleta foi contratado pela Rosenthal Law, escritório de advogados especializados em injúria pessoal Analistas examinaram milhares de dados relacionados à mudança demográfica da ocorrência de mortes de ciclistas por todo o país. Apesar de 1975 ter ficado longe de ser um ano bom para quem pedala – 1.003 ciclistas dos EUA perderam as vidas – em um corte transversal mais amplo muitos dos Estadunidenses pedalaram nos anos 70, incluindo muitas crianças e jovens adultos com menos de 20 anos.

Mas, conforme o tempo passou, pais e responsáveis reagiram à dominação de carros nas ruas tirando os filhos das bicicletas colocando-nos em carros de família, provocando a redução do número de mortes de jovens ciclistas em 88% – à custa, entretanto, da independência das crianças, da saúde e do prazer gerados pelo uso das duas rodas.

Em 1969, quase metade das crianças dos ensinos fundamental e médio foram de bicicletas à escola; em 2017, apenas 1 entre 10 mantiveram essa rotina. Curiosamente, ao mesmo tempo em que jovens ciclistas começam a desaparecer das ruas, as mortes entre os ciclistas adultos fieis às pedaladas disparou: de 1975 até 2000, as fatalidades nesse grupo cresceram 115%.

Após a virada do milênio, os pesquisadores encontraram ainda mais razão para se preocuparem. De 2000 até 2018, descobriram que não houve nenhum aumento na quantidade de ciclistas adultos, ainda que o numero de fatalidades entre ciclistas acima dos 20 anos tivesse disparado 43%.

Evolução dos óbitos com ciclistas no Estados Unidos. Fonte: Rosenthal Law.

No entanto, a variação dos índices relacionados ao uso de bicicleta não se comportaram da mesma forma entre todos os grupos etários – e uma explosão na popularidade das bicicletas na virada do milênio entre ciclistas de meia-idade pode ajudar a explicar essa desigualdade nos hábitos.

“Meus pensamentos iniciais, quando eu vi os dados de fatalidade do século 21, foram que o ciclismo realmente explodiu em popularidade entre aquelas pessoas acima de 45 anos nos últimos 20 anos, talvez por causa do Lance Armstrong – apesar do doping,” brinca Brian Beltz, um dos analistas do estudo da Rosenthal. “Essa é uma parte, mas existe de fato uma mudança no costume entre as duas faixas etárias”, explica.

Em outro estudo citado por Beltz no relatório, pesquisadores descobriram que o número de viagens de bicicleta por ciclistas entre 45 e 64 anos mais que dobrou de 2001 até 2017 – enquanto o número de viagens realizadas por idosos acima de 65 anos saltaram 66% no mesmo período.

Sem nenhuma surpresa, a idade média de ciclistas mortos no tráfego aumentou de 40 anos em 2007 para 47 anos em 2018 – e em 2017, as fatalidades ocorreram mais frequentemente entre ciclistas entre 50 e 54 anos.

Colocando de outra forma: embora o estereótipo do homem de meia-idade vestido de Lycra dominando a ciclofaixa bicicleta não seja verdade , as pessoas que vem a morrer por usarem a bicicleta realmente tendem a ser mais velhas do que aquelas pessoas que estão terminando a faculdade.

(É verdade que a maioria dos ciclistas mortos são homens; a pesquisa também aponta ampla evidencia sugerindo que mortes de ciclistas são oito vezes maiores entre autodeclarados homens do que entre as autodeclaradas mulheres. Sem nenhuma palavra sobre a Lycra.)

A pesquisa não foi detalhista ao ponto de apontar os motivos dessa chocante discrepância de idade nas mortes de ciclistas, mas especialistas já haviam notado que as mais velhas em quaisquer tipos de transporte têm mais probabilidades de morrerem em colisão com veículos automotores pelo fato de serem mais suscetíveis a lesões graves.

Como os mais velhos pedalam suas bicicletas também pode apontar uma direção; um relatório de 2015 descobriu que mais que dobro de adultos mais velhos  pedalam exclusivamente para recreação do que para transporte; especulam que essas rotas de lazer podem levar os mais velhos para caminhos rurais mais perigosos.

“Eu acredito que o tipo de ciclismo que adultos mais velhos adotam levam a jornadas mais longas, pois utilizam caminhos e trilhas de bicicleta que cruzam ou seguem paralelas à vias com tráfego pesado,” diz Beltz.

É claro, não importa onde eles escolhem pedalar, ciclistas deveriam ter o direito de segurança em nossas ruas – e todos deveriam se sentir seguros saindo em duas rodas, não importa a idade. Relatórios como esse são ótimos, mas para ver mudanças reais, nossos governos devem coletar informações compreensivas como idade, gênero, raça, renda, entre outras informações demográficas sobre fatalidades e ocorrências no ciclismo – sem deixar de mencionar ciclistas vivos – e usar tais informações para construir ações reais que salvam vidas, sem simplesmente empurra parte da população a deixarem de usar as bicicletas por completo.

O Jornal Bicicleta está autorizado a publicar conteúdo do Streets Blog. Thank You! www.streetsblog.org

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