Morreram 35 ciclistas em 2025 em São Paulo e ninguém mais fala nisso

Teve um tempo em que a morte de qualquer pessoa que pedalasse nas ruas da Cidade de São Paulo motivaria que algumas centenas de pessoas fossem para as ruas para protestar por mais segurança viária para ciclistas. Essa união de pessoas chamada Massa Crítica se reunia às últimas sextas-feiras de cada mês e partiam com suas bicicletas para acalmar ocupar a avenida Paulista, obrigando os carros a ir atrás da Bicicletada cujos integrantes gritavam, entre outras, “mais amor, menos motor”. Na última sexta-feira, no entanto, não mais do que seis pessoas foram cumprir esse ritual que, a rigor, chegou a ser realizado por ativistas de mais de 100 cidades ao redor do mundo mas, hoje, está adormecido.

E essa dormência dói, pois, ainda que a cidade tenha criado ciclovias muito por conta dessa abnegação de gente como eu que se dispõe a enfrentar o sistema para exigir atenção para o veículo mais verde ou limpo ou mesmo sustentável da Terra, ainda morrem 35 ciclistas por ano por aqui. Foi esse o número macabro gerado pelo Infosiga do Detran para o modo bicicleta em 2025. Parece pouco, mas se você colocar 35 pessoas da sua família para morrer dentro de um ônibus garanto que vai entender que é muita gente.

E morrem pois São Paulo e qualquer outra cidade grande do País vai sendo cada vez mais empurrada para um carrocentrismo e agora para o motocentrismo sem volta, ainda mais quando as motocicletas vêm sendo apontadas como a nova “solução” do transporte da classe trabalhadora, uma vez que o sucateamento dos transportes públicos é uma realidade que vem sendo construída dia após dia já que as pessoas vão ficando cada vez mais iludidas de que é mais confortável subir na garupa de um desconhecido do que andar alguns metros para pegar o ônibus.

Do jeito que as coisas foram feitas ao longo dos anos, das apostas no rodoviarismo que são encampadas tanto por gente da esquerda como da direita, pelo menos aqui da capital paulista e enquanto vejo o trânsito congestionado da avenida Alcântara Machado da janela do Hospital IBCC onde acompanho minha companheira em tratamentos, também observo minha bicicleta amarrada numa grade do estacionamento de carros lotado, situação que denota um fracasso das políticas públicas do transporte sustentável que tiveram um auge na administração do petista Fernando Haddad e que agora, com o emedebista Ricardo Nunes, ruma para o abandono total, se restringindo a construir o mínimo possível de novas estruturas ou reformar um pouco do que já existe, sem qualquer outra iniciativa de base ou estrutural que nos leve a sentir que pedalar por aqui não nos leve à morte.

Crédito da Foto – Ivson Miranda – 29/09/2019 – Avenida Paulista – São Paulo


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